ABERTURA DO PROCESSO DE CRIAÇÃO DA ARTISTA LETÍCIA SEKITO PARA A BIENAL DO PORTO SANTO 2011

 

13 de Dezembro de 2010 (segunda-feira) – 21,30 h.

‘c.e.m.- centro em movimento’ | Rua dos Fanqueiros N.º 150 – 1.º andar, Lisboa

 

A proposta performativa da artista brasileira de origem japonesa e portuguesa Letícia Sekito apareçe enquadrada na dinâmica preparatória da próxima 4.ª BIENAL DO PORTO SANTO – MOSTRA INTERNACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA a acontecer no verão de 2011, em que têm sido realizados, a par de outros eventos, econtros multidisciplinares sob a forma de tertúlias que habitualmente se realizam em Lisboa no Atelier Nádia Duvall. Pela tipologia do espaço necessário à apresentação desta proposta optou-se por realizar este evento no espaço c.e.m. – centro em movimento, estrutura que também faz parte do passado artístico que Letícia Sekito teve em Portugal na década de noventa.

O projecto Bienal do Porto Santo abranje várias áreas de expressão desde as artes plásticas e visuais às performativas e de espectáculo, apostando também na multidisciplariadade mesmo nos dominíos da ciência e das tecnologias.

Por outro lado a interculturiadade é um propósito constante do dinamismo criado nesta projecto. A ilha do Porto Santo foi o primeiro local ‘achado’ pelos navegadores portugueses na epopeia maritíma que permitiu pela primeira vez a todos os povos do mundo se conhecerem e se comunicarem entre si. Faz sentido que se escolha esta pequena ilha do arquipélago da Madeira para nela se realizar um ponto de encontro de ideias e criações de muitos que vêm de vários locais do mundo. A ilha torna-se assim um Porto Santo para os artonautas que a ela vão chegando num movimento desta vez de implosão contrastando com o passado de expansão…

A proposta de Letícia Sekito contextualisa-se no tema da próxima edição da Bienal HOMO VIRTALIS o qual procura a comparação das situações reais com as virtuais e os valores que estas representam para o ente humano no estágio actual da sua civilização, por outro lado o facto desta artista vir antecipadamente a Portugal apresentar publicamente o desenvolvimento do que prepara para a Bienal do Porto Santo é um facto inédito no âmbito internacional deste projecto.

A arte é expressão e motor da cultura dos povos. Uma bienal de arte contemporânea dá à ilha do Porto Santo mais um importante ícone inserido numa dinâmica de desenvolvimento e progresso no espaço do "Mar Oceano".

Manuel Pessôa-Lopes
(Curador da Bienal do Porto Santo)

 

 

Dando seguimento ao seu interesse sobre a relação entre corpo, cultura e movimento, a artista brasileira Letícia Sekito (Companhia Flutuante/BR), abre o processo de criação para a Bienal do Porto Santo 2011, refletindo sobre as conexões passadas, presentes e futuras entre Brasil/Portugal/Japão e sua vida. O estúdio C.E.M., sediado em Lisboa, gentilmente colabora com a Bienal e com a artista que entre 1990 e 1996 fez sua formação em dança neste espaço voltado as artes e as pessoas.

Letícia Sekito “procura seu mar”.

Este mar que pode nos distanciar ou nos aproximar, nos levar a caminhos e a desvios, a uma conversa, a uma ausência, a uma saudade.

“Onde e como está o mar no meu corpo?

Será que os mares nos conectam, nos apartam, nos levam, nos aproximam uns dos outros?

Se no passado os mares levaram Portugal ao Japão e ao Brasil, como estamos navegando nesses mares agora?

Tenho um mar de lembranças, de desejos e de desconhecimento. Isso me atrai, me faz mergulhar neste processo e me move.
Estou no Brasil e nunca estive no Porto Santo. A virtualidade já está presente desde o começo quando conheci a Bienal e comecei a trocar ideias instigantes com o Curador Manuel Pessôa-Lopes. Até agosto de 2011 navegarei pelos mares internáuticos e conversarei com pessoas que lá estiveram. A imaginação conversa com a virtualidade.

Vamos ver que mares encontrarei no meu corpo e como o movimento vai navegar por ele até aterrar na ilha de Porto Santo e iniciar um outro momento.

Esta é a primeira etapa e gostaria de compartilhá-la com vocês!”

 

Letícia Sekito mora em São Paulo, é diretora e dançarina da Companhia Flutuante, trabalha com dança contemporânea, performance e dialoga com a música, as artes visuais e cinema. Entre 1990 e 96, fez sua formação em Lisboa com Sofia Neuparth, Peter Michael Dietz e Amélia Bentes, entre outros. Trabalhou de 1997 a 2006 no Estúdio Nova Dança, foi co-criadora e integrante da Cia 2 Nova Dança, São Paulo. Recebeu prêmios brasileiros como Bolsa Rede Stagium 97, Proac 2006 e 2009, Rumos Dança Itaú Cultural 2006/07, Funarte Dança 2009 e Fomento `a Dança 2010. Entre 2004 e 2007 criou a trilogia: “Disseram que eu era japonesa”, “E eu disse:” e “O Japão está aqui?”. Em 2008, no âmbito da comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, fez residência artística em Kyoto e dançou também em Kobe e Osaka. Letícia é praticante de Aikidô (A.P.A/Aikikai) e está ligada ao projeto Danceability, da Joint Forces Dance Company / Alito Alessi.

http://companhiaflutuante.blogspot.com

 


Apoio cultural: Lado B Digital Filmes e Cantina e Pizzaria da Conchetta

Tradução: Erika Kobayashi (Tóquio)

Agradecimentos: Queridos amigos e família, C.E.M., Jo Takahashi, Luciana Ohira e Sergio Bonilha, Plinio Higuti, Sandra Ximenez/Axial e Sofia Neuparth.